O texto desta peça é um manifesto. A revelação de uma vontade real de que algo relevante e extraordinário aconteça. Que acontecimento é esse? Talvez um acontecimento teatral ou político. Ou será a mesma coisa? Talvez o acontecimento seja a acção ela própria, pois no mundo actual de uma sociedade tomada pela anestesia e pela inactividade, resta-nos sonhar e propor mecanismos de recuperação de vontade de agir e mudar o sistema. Ao pensar hoje em mudança, é difícil não pensar em actos terroristas, pois tal como diz o romancista americano Don Delilo «Hoje são os terroristas e não os artistas que alteram a nossa consciência do mundo». Assim, os artistas teorizam, reflectem e sonham com a mudança, os terroristas realizam-na. Tendo como base a afirmação provocatória de Delilo, o texto de Joris Lacoste propõe ele próprio um acto (quase) terrorista: pensar-se que a arte e o terrorismo podem encontrar-se numa mesma vontade, a de mudar efectivamente a ordem do mundo. Purgatório vive na produção de tensão e expectativa de que alguma coisa de importante aconteça e seja determinante. Continuamente nos assalta a sensação de que a qualquer momento uma bomba poderá explodir por baixo da plateia. Personne ne sortira vivant d’ici.
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Encontro com os artistas após o espectáculo.
Texto Joris Lacoste
Tradução André Maranha
Adaptação e encenação Martim Pedroso
Interpretação Estelle Franco, Luís Godinho, Martim Pedroso, Paula Diogo, Sofia Brito, Vítor d´Andrade (voz-off)
Apoio ao movimento / coreografia Stefano Mazzotta
Apoio à dramaturgia e assistência de ensaios Cláudia Gaiolas
Apoio vocal Inês Nogueira
Concepção de figurinos e espaço cénico Martim Pedroso
Guarda-roupa de época António de Oliveira Pinto
Espaço sonoro James Uhart
Direcção técnica e desenho de luz Mafalda Oliveira
Vídeo António Duarte
Fotografia Marisa Nunes
Produção Materiais Diversos
Co-Produção Teatro Maria Matos (Lisboa, Portugal); Galeria ZDB (Lisboa, Portugal); Devir / Capa (Faro, Portugal); O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo, Portugal).
Apoio Direcção Geral das Artes, Ministério da Cultura, Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Franco Português, MPO, Academia, Paulo Vieira Cabeleireiros, TEC, Vidal Tecidos
Espectáculo financiado pela Direcção Geral das Artes / Ministério da Cultura