{"id":4,"date":"2017-07-28T09:28:47","date_gmt":"2017-07-28T09:28:47","guid":{"rendered":"http:\/\/saraorsi.com\/demo\/materiaisdiversos\/?page_id=4"},"modified":"2017-09-12T13:29:34","modified_gmt":"2017-09-12T13:29:34","slug":"transacoes-transformacoes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.materiaisdiversos.com\/festival\/transacoes-transformacoes\/","title":{"rendered":"Transa\u00e7\u00f5es \/ Transforma\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Estas palavras inscreveram-se na minha mem\u00f3ria h\u00e1 quase 20 anos, e continuam a ecoar com sentido. A separa\u00e7\u00e3o entendida n\u00e3o como limite, mas como possibilidade de cont\u00ednuos movimentos relacionais entre aqueles que, sendo diferentes, se desejam, \u00e9 uma ideia que abre vastas possibilidades.<\/p>\n<p>A certeza da separa\u00e7\u00e3o, do princ\u00edpio de individua\u00e7\u00e3o de cada coisa, no entanto, n\u00e3o parece t\u00e3o clara no tempo da globaliza\u00e7\u00e3o. Transa\u00e7\u00f5es intensas e generalizadas em todos os campos, do com\u00e9rcio ao conhecimento, caracterizam este tempo que com grande incerteza procuramos habitar. Um tempo de intensas e velozes transforma\u00e7\u00f5es, em que algumas dist\u00e2ncias s\u00e3o vencidas t\u00e3o rapidamente que se cria a ilus\u00e3o de que algumas coisas s\u00e3o a mesma coisa. Mas n\u00e3o s\u00e3o. <\/p>\n<p>Em 2017, inspirados no bin\u00f3mio Transa\u00e7\u00f5es\/Transforma\u00e7\u00f5es, questionamo-nos sobre que ideias, meios e bens foram efetivamente globalizados, que conce\u00e7\u00e3o de mundo e de desenvolvimento. O conhecimento \u00e9 declinado e difundido na sua diversidade? Que papel desempenha a pol\u00edtica cultural neste campo e que margem de independ\u00eancia mant\u00e9m face ao mercado e \u00e0 consensualiza\u00e7\u00e3o de uma certa ideia de acesso? Como t\u00eam mudado os modos de colabora\u00e7\u00e3o entre artistas e programadores e que efeitos estas transforma\u00e7\u00f5es t\u00eam sobre a vida cultural de diferentes comunidades? O que t\u00eam a dizer os artistas com os seus olhares singulares sobre este mundo em movimento acelerado? O que t\u00eam a dizer os espectadores, amantes da esperan\u00e7a de ver no escuro?<\/p>\n<p>Desde 2009, o Festival Materiais Diversos afirmou-se como lugar de encontros, ligando pontos ainda n\u00e3o unidos e propondo novos padr\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o com as artes nas localidades de Minde, Alcanena, Cartaxo e, at\u00e9 2016, Torres Novas. Em 2017, estamos mais conscientes da independ\u00eancia de esp\u00edrito que deve caracterizar o trabalho de programa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m da reciprocidade necess\u00e1ria \u00e0s parcerias que construimos, sem as quais n\u00e3o haveria raz\u00e3o ou suporte para percorrer algumas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Enquanto festival com centro numa periferia, as nossas inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam por colonizar as comunidades com quem trabalhamos com aquilo que vem de um centro, mas por contribuir para a funda\u00e7\u00e3o de novos centros, donde novos olhares e novas formas de fazer e de pensar possam tamb\u00e9m emergir. Assim, programar\/ criar\/ ver no teatro n\u00e3o \u00e9 o mesmo que programar\/ criar\/ ver na f\u00e1brica, nem ver\/ criar\/ programar em Minde \u00e9 o mesmo que ver\/ criar\/ programar em Lisboa, ou em Bruxelas, ou no Cairo, ou em Santiago do Chile.<\/p>\n<p>Na sele\u00e7\u00e3o apresentada este ano destacam-se as duplas de artistas, os coletivos e as cria\u00e7\u00f5es para\/ com grupos, mas predomina sobretudo uma vontade de interpela\u00e7\u00e3o aos espectadores que todos somos e aos lugares onde\/ donde vemos os espet\u00e1culos. Separados pela condi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria, e intermut\u00e1vel, de ver ou de fazer, encontramo-nos na esperan\u00e7a de partilhar o mundo imaginado, entre entendimentos e diferendos, para nos transformarmos, em ambos os sentidos e em novas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A todos os que d\u00e3o corpo e sentido a este festival, sejam bem-vindos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estas palavras inscreveram-se na minha mem\u00f3ria h\u00e1 quase 20 anos, e continuam a ecoar com sentido. A separa\u00e7\u00e3o entendida n\u00e3o como limite, mas como possibilidade de cont\u00ednuos movimentos relacionais entre aqueles que, sendo diferentes, se desejam, \u00e9 uma ideia que abre vastas possibilidades. 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