Filipa Francisco|Projecto Espiões

Espiões©Bruno Simão_LRProjecto ESPIÕES
FILIPA FRANCISCO

COM FRANCISCO CAMACHO, MIGUEL PEREIRA, SÍLVIA REAL

 

ESTREIA FESTIVAL MATERIAIS DIVERSOS
17 SETEMBRO 2016

Projecto Espiões aborda a relação entre as artes performativas e a construção e transmissão da memória cultural, desde um universo pessoal. A partir das memórias individuais e colectivas de alguns dos artistas da sua vida — os coreógrafos-intérpretes Francisco Camacho, Miguel Pereira e Sílvia Real — Filipa Francisco identifica um património ímpar na memória destes coreógrafos e desenha um gesto criativo e afirmativo face à escassez de arquivos e documentação sobre a dança no panorama nacional português.

Na sequência de projetos anteriores como Íman, construído a partir das memórias individuais deintérpretes de dança africana e hip hop, ou A Viagem, que explora a dança tradicional como uma forma de ligação ao corpo, Projecto Espiões propõe valorizar uma herança incorporada através de um confronto entre repertórios e imaginários pessoais e novos gestos coreográficos.

Ciclo Formativo – O meu museu da dança

Num jogo de ecos intrínseco, o projecto de criação de Espiões faz-se ainda acompanhar de um ciclo formativo, O meu museu da dança, composto por módulos que se podem realizar autonomamente ou em acumulação, de acordo com os objectivos estratégicos do parceiro ou teatro de acolhimento. Tirando partido da ampla experiência pedagógica de todos os coreógrafos que integram a equipa, a oferta formativa incluirá laboratórios para jovens estudantes de dança ou coreógrafos, oficinas de dança inter-geracionais, oficinas de dança pensadas para crianças e jovens e workshops para adultos (amadores ou profissionais) com experiência em dança.

ENQUADRAMENTO TEÓRICO

O FUTURO É UM BEM EM VIAS DE EXTINÇÃO
CLÁUDIA GALHÓS

A era antropocêntrica implica uma maior tomada de consciência da responsabilidade de cada acto/gesto de cada pessoa. Torna-se ainda mais importante por parte de alguém especializada em dança. Trabalhar sobre essa consciência através do mundo que cada um dos criadores transporta é explorar um pensamento crítico a várias escalas: a artística, a humana, a do passado, e a da construção de possibilidade de um futuro. O cruzamento dos tempos e dos saberes, no assumir de que tudo é inter-relacional, faz parte de uma urgência contemporânea que se traduz a nível Europeu e Norte-americano em vários âmbitos:
a) recriação (revisitação) de obras históricas da dança contemporânea;
b) o cruzamento da expressão da tradição com a criação contemporânea;
c) a dupla exposição da qualidade do estar em cena: não é apenas escolher entre a presença
do corpo e/ou a representação, mas antes um fluir entre as duas qualidades;
d) construir zonas de contacto que fazem coabitar numa obra o que é da ordem do documental/pessoal com aquilo que é da ordem da criação de novo material/com ressonância do real e do universal;
e) o fazer coexistir a dimensão poética com a pesquisa formal;
f) o construir um ‘museu vivo da dança’ onde as inter-relações vão ainda mais além.

Precisamente pela consciência da lógica tecnológica que determina muitas das interacções sociais/ económicas e de gestão do quotidiano, importa trazer para o próprio conteúdo da obra a valorização da intimidade – daí a escolha de uma ‘família’ de artistas com ‘passados comuns’, a improvisação como método e os ‘artistas fetiche’ como referência. Alie-se a este facto a fundamental importância da memória (tema da improvisação), neste particular momento de extraordinária renovação geracional da dança contemporânea portuguesa que surge e imediatamente se move em inspirador diálogo com uma primeira geração de autores, com trabalho autoral amadurecido. Urge trazer à atualidade esse passado recente para valorizar ainda mais o futuro que ainda não desistimos de construir. Acima de tudo, uma evidência: esta experiência e esta construção com implicações a vários níveis só podia acontecer pela experiência do corpo pensante e sensível, com uma História pessoal, nacional e universal inscrita na memória muscular.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

Criação e direcção artística Filipa Francisco
Co-criação e interpretação Francisco Camacho, Miguel Pereira, Sílvia Real
Composição musical António Pedro
Cenografia e figurinos Carlota Lagido
Desenho de luz e Direcção Técnica Carlos Ramos
Acompanhamento crítico e documentação  Cláudia Galhós
Fotografia Bruno Simão
Produção e difusão Materiais Diversos
Co-produção Maria Matos Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto e rede Open Latitudes (Latitudes Contemporaines, Vooruit, L’Arsenic, Body/Mind, Teatro delle Moire, Sin Arts Culture, Le Phénix, MIR Festival, Materiais Diversos financiado pelo programa Cultura da União Europeia)
Apoio EIRA e Pólo Cultural das Gaivotas | Boavista – Câmara Municipal de Lisboa
Agradecimentos Culturgest, Gulbenkian, ESD – Escola Superior de Dança de Lisboa, Forum Dança, FMH, Daniel Tércio, Sophie Coquelin, Mariana Brandão, Elisabete Paiva, Mark Depputer, Vasco Wallenkamp, Margarida Bettencourt, Olga Roriz

FILIPA FRANCISCO

Filipa Francisco, coreógrafa e performer. Estudou Dança, Teatro, Improvisação e Dramaturgia, na Escola Superior de Dança, na Companhia de Dança Trisha Brown, no Lee Strasberg Institute, em Nova Iorque e com o dramaturgo André Lepecki. Trabalhou com os coreógrafos e encenadores Francisco Camacho, Vera Mantero, Sílvia Real, Madalena Vitorino, Rui Nunes, Aldara Bizarro, Paula Castro, Bruno Cochat, Lucia Sigalho e João Garcia Miguel. Juntamente com  Bruno Cochat, é membro fundador da Cia. Torneira, com a qual assinam a peça Nu Meio, apresentada desde 1996.
Dos seus trabalhos destaca Leitura de Listas em colaboração com André Lepecki (Festival Way, 2004) e Dueto em co-criação com a coreógrafa Basca, Idoia Zabaleta (Alkantara Festival, 2006). Estes espectáculos foram apresentados em vários festivais em Portugal e no estrangeiro.
Desenvolveu durante sete anos um trabalho de formação e criação com reclusos do Estabelecimento Prisional de Castelo Branco (Projecto Rexistir). Em 2007 foi artista convidada do projecto de Reinserção pela Arte promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Centros Educativos. Em 2007/2008 foi Directora Artística de Nu Kre bai bu onda, um projecto de formação em dança e criação, no bairro da Cova da Moura. Com este grupo criou Íman, considerado pela crítica do jornal Público o melhor espectáculo do ano. Desde há três anos que viaja com a peça A Viagem, espectáculo criado com grupos folclóricos. É associada da Materiais Diversos.

 

Contacto difusão (para profissionais)

Sofia Matos
e sofia.matos@materiaisdiversos.com
t (+351) 913 633 452