Pablo Fidalgo Lareo | Daniel Faria

©  Amalia Area

DANIEL FARIA

PABLO FIDALGO LAREO

 

ESTREIA LISBOA 19 JANEIRO 2017 | 21h30 | Teatro Nacional D. Maria II

Esta peça não é sobre a vida de Daniel Faria, é sobre o modo como uma vida pode afectar outras. Um dos melhores amigos de Daniel Faria, depois de uma conversa de três horas, disse-me: “O principal tema da vida e da obra de Faria é a partilha”. A partilha da fé, da palavra, dos objectos. Faria escrevia continuamente e oferecia muitas coisas a todos os seus amigos, e essa escrita era também uma forma de fé, de partilha das suas crenças.

Perguntaram-me porquê Daniel Faria? E digo, porque Daniel Faria não pode ser representado, porque sinto que esse acto de partilha deve ter uma continuação; Daniel semeou em todos o desejo de partilha, de se aperfeiçoar. Essa impossibilidade de representação, de entregar a vida de Daniel Faria a uma só pessoa, fez-me pensar, precisamente, no seu amor pela representação e pelo teatro amador. Fez-me pensar na necessidade da representação para existir e em como ele conseguia contagiar os outros com essa necessidade.  Em Singeverga, pude ver as suas incríveis cenografias. Ali, alguém me disse, Daniel escolheu ter uma vida apagada, mas a sua obra é uma resposta à palavra de Deus. Pensei, se a vida de Daniel Faria é uma vida de renúncia, a que renuncia o público? O que é que estamos dispostos a entregar ao outro? Então pedi a vários artistas que admiro os actos de fé do seu trabalho. Eles entregaram-me dois minutos de peças suas que encerram experiências de fé para serem reinterpretadas, para serem partilhadas.

O movimento de Daniel Faria em direcção aos outros é o que, neste espetáculo, os corpos do público terão de resgatar. Assim, encontrar-nos-emos em cena, uma comunidade de amadores que disponibiliza os seus corpos e onde cada um exerce a sua responsabilidade. Partilhar, entregar-se, despojar-se, desprender-se, é o que Daniel fez. Não há representação, há só uma acção comum, um diálogo onde cada um terá que encontrar o seu caminho como fez Daniel Faria. Nesse sentido, os nossos corpos tornam-se o arquivo e a memória desses gestos de fé, dessas diferentes formas de dançar, dessas diferentes formas de perguntar: aceitarás ser tocado, estás disponível? Daniel Faria, a vida apagada, incendiou-se.

Pablo Fidalgo Lareo

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FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA

Criação e texto: Pablo Fidalgo
Apoio à criação e produção executiva: Amalia Area
Performer: Tiago Gandra
Iluminação: Nuno Figueira e Pablo Fidalgo
Assessoria artística: Vítor Roriz
Tradução: Inês Dias
Produção: Materiais Diversos
Co-produção: Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa), Centro Dramático Galego (Galiza) e Teatro Municipal do Porto Rivoli –  Campo Alegre (Porto)
Com o apoio de: Teatro Municipal do Porto Rivoli –  Campo Alegre (Porto), Azala (Álava), Câmara Municipal de Lisboa e Polo Cultural Gaivotas, Largo Residências (Lisboa)

Pablo Fidalgo Lareo (Vigo 1984) é um escritor, criador teatral e curador independente. Escreveu livros de poemas A educação física e Meus pais: Romeu e Julieta, ambos publicados pela Pre-Textos. Meus pais: Romeu e Julieta foi publicado em Português pela editora Averno. Ganhou o prémio Injuve de poesia por La retirada (2012).Apresentou o seu trabalho em vários países e festivais em todo o mundo. Criou as peças teatrais O estado Salvaxe, Espanha 1939 (2013) e Habrás de ir a la guerra que empieza hoy (2015). Participou no projecto PANOS (Culturgest, 2015) com a peça Só há uma vida e nela quero ter tempo para construir-me e destruir-me. Colabora habitualmente com Ana Borralho & João Galante. É director artístico do Festival Escenas do Cambio, na Cidade da Cultura, Santiago de Compostela. Vive e trabalha em Lisboa.

 

Contacto Difusão (para profissionais)

Sofia Matos
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