A MENOR LÍNGUA DO MUNDO

A menor lingua do mundo_2019

A MENOR LÍNGUA DO MUNDO

Uma produção Materiais Diversos com direcção de

Alex Cassal e Paula Diogo

Em 2100 o mundo poderá ter perdido metade das suas línguas: dos 7.000 idiomas falados actualmente, espera-se que 50% não sobrevivam até ao final do século. Ao caminharem para a extinção, levam consigo histórias, conhecimentos, identidades, diferenças. Em Portugal estão ameaçadas o minderico, o ladino, o barranquenho e o mirandês, entre outras. Línguas circunscritas a pequenas regiões e localidades, faladas por uma quantidade cada vez menor de pessoas. Línguas que, ainda assim, representam também a cultura portuguesa.

A MENOR LÍNGUA DO MUNDO  é um projecto que se propõe como um espaço de conversação, estabelecendo encontros criativos entre um grupo multidisciplinar de artistas e grupos falantes de minderico, mirandês e barranquenho (como exemplo). O objectivo aqui não é o registo de algo que foi, mas a exploração de possíveis vir-a-ser; menos um museu e mais uma feira. Queremos investigar o que estas línguas podem e querem dizer hoje. E pensar até que ponto a extinção é ou não inevitável. Imaginámos uma trupe que viajasse por uma terra extinta (aproveitando o potencial mobilizador e irónico das fantasias apocalípticas) a apresentar teimosamente um espectáculo de variedades com aquilo que recolheram na sua jornada: piadas e canções, coreografias burlescas e poemas épicos, referências eruditas e animais amestrados.

Uma caravana de maravilhas a viajar pelo fim do mundo.

 

7“CLOV: Vou deixar-te.

HAMM: Não!

CLOV: O que há para manter-me aqui?

HAMM: Conversas.”

Samuel Beckett, Endgame

 

“A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem contra o outro. É como se tivesse palavras de dedos ou dedos na extremidade das minhas palavras. A minha linguagem treme de desejo.”

Roland Barthes, Fragments d’un discours amoureux

 

“Artistas, como pesquisadores, constroem o palco onde a manifestação e o efeito das suas habilidades se tornam dúbios na medida em que eles moldam a história de uma nova aventura em um novo idioma. O efeito do idioma não pode ser antecipado. Ele demanda espectadores que são interpretadores ativos, que oferecem suas próprias traduções, que se apropriam da história para eles mesmos e que, finalmente, fazem a sua própria história a partir daquela. Uma comunidade emancipada é, na verdade, uma comunidade de contadores

de histórias e tradutores.”

Jacques Rancière, Le Spectateur émancipé

 

“This parrot is no more. It has ceased to be. It’s expired and gone to meet its maker. This is a late parrot. It’s a stiff. Bereft of life, it rests in peace. If you hadn’t nailed it to the perch, it would be pushing up the daisies. It’s rung down the curtain and joined the choir invisible. This is an ex-parrot.”

John Cleese, Monty Python’s Flying Circus